Evolução

A Fenix Nefrologia comemora sua maioridade anun­ciando com muito orgulho o início de uma parceria com dois dos melhores grupos de Nefrologia do Brasil: o INEB (Instituto de Nefrologia de Brasília) e o INC (Instituto de Nefrologia de Campinas). Dessa união emergiu o propósito de estabelecer uma rede de clínicas de padrão premium em pontos estratégicos da Grande São Paulo.

As primeiras etapas desse projeto, em Alphaville e na Avenida República do Líbano, são o resultado da soma da capacidade de inovação de nossos parceiros com a credibili­dade de nossos 21 anos de atuação na cidade de São Paulo.

Ao longo desses anos de trabalho, pudemos constatar que a medicina abriga em seu âmago uma mistura de substâncias que, embora complementares, têm nature­zas bem diferentes. Uma delas é a capacidade humana de compartilhar o sofrimento percebendo em si mesmo a dor de seu semelhante. A outra é o impulso inato de aliviar essa dor. A primeira, por pertencer ao mundo dos sentimentos, é imensurável. A segunda, por pertencer à esfera da ação, pode ser analisada em detalhes e descrita com precisão formando ao longo do tempo um vasto corpo de conhe­cimentos e técnicas.

Nosso dia a dia nos mostra que a qualidade da medi­cina que praticamos depende da qualidade dessa mistura, pois antes mesmo de qualquer tratamento, o que se es­pera de nós é um olhar atento, mais quente (eu diria até cúmplice!!!). Quando técnica e compai­xão se misturam de maneira harmôni­ca, a medicina se transforma em arte. Quem sabe a mais sutil entre elas pois, diferente da música ou da pintura, per­cebidas primeiro pelos sentidos, a arte médica já toca diretamente a alma.

A História da Hemodiálise é um exemplo emblemático de medici­na exercida como arte. Em 1938, às vésperas da Segunda Guerra, Willelm Kolff, médico holandês, então com 27 anos, acompanhava passo a passo a devastação progressiva com que a uremia aniquilava, de forma inexorável, a vida de outro jovem. A sensação de absoluta impotência diante da tragédia consumada o marcou de tal forma que ele se dispôs a assumir uma tarefa aparentemente utópica: conseguir um modo de remover as toxinas que envene­nam o sangue quando os rins deixam de funcionar.

Seu espírito indomável floresceu durante os anos de guerra e, em 1943, ele realizou a primeira sessão efetiva de hemodiálise da história da medicina. Tratou uma série de quinze pacientes, sem nenhum sucesso mas também sem nenhum viés de desistência, aperfeiçoando passo a passo a técnica e o equipamento. Durante esses anos de luta inces­sante, Kolff construiu cinco máquinas de diálise. A décima sexta tentativa foi vitoriosa e coincidiu com o fim da guerra.

As sementes plantadas por ele superaram descrenças e preconceitos e fizeram brotar a árvore da nova da terapia renal. Inicialmente restrita ao tratamento de casos agudos, a nova terapia tornou-se o centro das atenções de um grupo de pesquisadores em Seattle. O esforço conjunto desses pioneiros fez nascer em 1962 a primeira Unidade de Tratamento de pacientes renais crônicos. O passo de­cisivo nesse sentido foi a confecção do primeiro acesso permanente à circulação sanguínea, que leva o nome de seu criador, dr. Belding Scribner.

O Shunt de Scribner é a mãe de todas as fístulas arté­rio-venosas, hoje tão familiares aos nefrologistas do mundo todo. O tratamento hemodialítico se expandiu de for­ma tão rápida que, já em 1973, o Congresso Americano estendeu a todos os seus cidadãos o direito de receber essa nova forma de tratamento, independente de idade ou patologia. Esse direito se espalhou por todo o planeta, beneficiando hoje mais de três milhões de pacientes.

Um crescimento tão explosivo trouxe consigo a necessidade da criação de padrões de controle, espe­cialmente em relação à dose de diálise ministrada à cada paciente. A despeito dos inúmeros progressos obtidos, esses padrões vigoram, praticamente imutá­veis, há várias décadas. Por esse motivo, a comunidade nefrológica tem discutido intensamente a efetividade desses parâ­metros, dado que a expectativa e a qua­lidade de vida de nossos pacientes per­manecem praticamente estacionários ao longo dessas décadas.

Dessa forma, tem despertado grande interesse os chamados esquemas alterna­tivos de tratamento, sobretudo aqueles que aliam uma maior frequência ao uso de máquinas do tipo HDF (hemodiafiltração), que aumen­tam a capacidade de retirar toxinas do sangue ao agregar um alto componente de convecção ao clássico sistema de simples difusão. Além disso, a introdução da chamada diá­lise noturna possibilitou dobrar o tempo de tratamento sem alterar a capacidade produtiva do paciente. A ela jun­ta-se a modalidade de diálise domiciliar, especialmente útil a pacientes com dificuldade de locomoção.

Os resultados obtidos com esses novos esquemas de tratamento têm sido extremamente animadores, não só do ponto de vista da qualidade de vida dos pacientes, mas também de seus custos, pois reduzem de forma significativa o surgimento de comorbidades e a frequência de internações hospitalares.

Para marcar de forma positiva sua nova fase de atuação, a Rede Fenix incorporou essas novas formas de tratamen­to a suas unidades. Esperamos com isso ser fiéis ao espírito de Kolff, que não se cansava de repetir: “Meu único com­promisso é com meu paciente!”