Hoje, dia 14 de março, celebramos o Dia Mundial do Rim, data que chama a atenção para o crescimento das estatísticas de pacientes renais crônicos e estimula os cuidados com a saúde renal.

Um dos principais desafios para conter o avanço da doença renal crônica é que ela é “silenciosa” em suas fases iniciais e, na maioria dos casos, só é diagnosticada quando as funções dos rins já estão severamente comprometidas.

“As pessoas podem perder até 90% da capacidade renal antes de identificarem os sintomas. Quando a doença é descoberta no começo, o tratamento com medicamento e mudanças no estilo de vida podem estacionar o processo ou retardar sua progressão, evitando a necessidade de hemodiálise ou transplante”, afirma o médico nefrologista Bruno P. Biluca, da Fenix Alphaville.

“A informação e a prevenção ainda são os melhores remédios para preservar a saúde dos rins, por isso, a importância de campanhas como as que são realizadas no Mês do Rim. Ainda é muito pequeno o número de pessoas que fazem exames de urina e sangue anualmente e esses testes, simples e muito acessíveis, já são suficientes para identificar que há algo errado com os rins”, diz Biluca.

O médico esclarece as principais dúvidas sobre as doenças renais, seus sintomas, prevenção e tratamento:

O que é a doença renal crônica?

A insuficiência renal crônica é a perda lenta e gradual do funcionamento dos rins, órgãos responsáveis pela produção de urina, pelo equilíbrio químico do organismo e pela eliminação do excesso de líquidos e sais minerais do corpo. Os rins também ajudam a controlar a pressão arterial, participam da formação dos glóbulos vermelhos do sangue e dos ossos.

Quais são os fatores de risco?

A diabetes e a hipertensão são os principais fatores de risco para a doença renal crônica. Juntas, essas doenças estão ligadas a pelo menos 60% dos casos de pacientes em diálise no País. Outro fator importante é a obesidade. Os obesos têm muito mais chances de ter pressão alta e níveis elevados de glicose no sangue, e a possibilidade de desenvolverem DRC é oito vezes maior. Idosos e pessoas com histórico de doença renal na família também estão no grupo de risco. O uso indiscriminado de anti-inflamatórios e o fumo contribuem para desencadear problemas renais.

Como identificar que há algo de errado com os rins?

A doença renal crônica, em geral, é assintomática nos seus estágios iniciais e alguns sinais podem ser confundidos com outros problemas, como a dor nas costas, inchaço nas pernas, fraqueza, náusea e vômitos. Na dúvida, o melhor é consultar um médico. Outros sintomas são alterações na cor da urina (mais escura ou avermelhada), urina com espuma ou com odor forte, dificuldade de urinar, queimação ou dor quando urina e urinar muitas vezes, principalmente à noite e em pequenas quantidades.

Como é feito o diagnóstico?

Dois exames indicam alterações no funcionamento dos rins, o de urina tipo 1 e a dosagem de creatinina no sangue. Apesar de muito simples e acessíveis, a maioria das pessoas ignora a importância de fazer essa investigação regularmente. Assim como a mamografia e o exame de próstata são realizados anualmente para diagnosticar precocemente o câncer, esses testes devem ser incluídos na rotina de saúde.

A insuficiência renal crônica tem cura?

Ainda não há cura para a doença renal crônica, que é progressiva e irreversível. O diagnóstico precoce aumenta as chances de estabilizar a perda das funções renais, retardar sua progressão, diminuir os sintomas e evitar outras complicações, como problemas no coração, nos ossos e anemia. No estágio inicial, o tratamento é conservador, com o uso de medicamentos, adoção de uma dieta adequada, controle de doenças associadas e mudanças no estilo de vida. Quando a doença atinge fases mais avançadas, é preciso fazer hemodiálise (filtração do sangue por uma máquina) ou transplante.

É possível prevenir?

A saúde dos rins está diretamente ligada à saúde do organismo em geral e a adoção de um estilo de vida mais saudável ajuda a proteger o órgão de lesões. Isso inclui a prática de exercícios físicos regularmente e uma alimentação equilibrada e o mais natural possível, evitando produtos industrializados, o excesso de sal, açúcares e gorduras, e reduzindo o consumo de carne vermelha. Para se proteger dos fatores de risco, é importante fazer o controle da pressão arterial, colesterol e glicose. Outras dicas são manter o corpo sempre hidratado, não fumar ou usar medicamentos sem indicação médica.